Joana Solnado: "Porém, deverei fazer uma pausa em TV, está na altura de fazer uma reciclagem"

Agosto 5th, 2007 Colocado em Morangos

Foi difícil gravar o parto de Mariana?

Foram cenas complicadas, porque tinham uma carga emocional muito grande, uma vez que Mariana teve a filha sozinha. Inspirámo-nos nos partos das índias que dão à luz agarradas a um pau e na vertical para contar com a ajuda da lei da gravidade. Pensámos que seria a melhor opção, porque a Mariana é muito instintiva.

A bebé portou-se bem nas gravações?

Coitadinha, ela só tinha três semanas de vida… era muito pequenina… E teve um bocadinho de frio! Mas portou-se lindamente.

O espírito da mãe de Mariana aparece no momento do parto. Que acha da introdução da espiritualidade no enredo da novela?

Desde o primeiro episódio, quando morre a mãe, que a Mariana fala com ela. Fala em pensamentos. É a mãe que a ajuda no parto e é por isso que ela dá o nome de Beatriz à recém-nascida. Nos momentos muito importantes da vida da Mariana ela contou sempre com a ajuda da mãe.

É verdade que a Joana sai dos estúdios, vai para casa estudar os textos e, no dia seguinte, regressa com propostas de trabalho?

Qualquer actor que é apaixonado pelo que faz chega aos estúdios com ideias novas e entusiasmado. Isso faz parte da profissão. Trabalho em casa, sim, bastante. Mas isto é um trabalho de equipa e todos discutimos o que cada um pensou em casa quando leu os textos para o dia seguinte.

Onde se inspirou para fazer esta Mariana?

Andei muito tempo à procura da Mariana e, um dia, ela chegou e eu senti que a sua presença era tão forte que eu não estava preparada para ela, porque a Mariana tem vida própria. Às vezes planeio fazer uma cena de uma determinada maneira, chego ao plateau e ela troca-me as voltas todas! Ela reage como Mariana, instintivamente, antes mesmo de eu, Joana, ter tempo de me preparar para isso.

Considera-se uma actriz muito intuitiva?

Sou. Tento respeitar esta minha faceta. Mas a técnica também é muito importante.

Ouvi dizer que quando sai com as suas amigas, às vezes elas não sabem se saíram com a Joana ou com a Mariana. Explique-nos o que se passa.

(Risos)… Não é bem assim! (Risos). Uma vez ou outra elas brincaram comigo dizendo que eu estava a reagir mais como a Mariana do que a Joana. Nós nunca descolamos completamente da personagem. E eu tenho uma ligação muito forte às minhas personagens. E quando não estou a gravar elas estão muito presentes na minhas rotinas. Às vezes dou por mim a colocar as pernas em cima das cadeiras como faz a Mariana!

E como convive com o isolamento que a interpretação da personagem exige?

No começo, tive alguma dificuldade, porque estava sempre a gravar sozinha… Sinto a falta de um rosto, de um olhar, uma voz para a contracena… A Mariana simboliza os Açores, a natureza ainda selvagem e imponente. Ela é um pouco as rochas, os vulcões, o mar e o verde dos Açores!

Os açorianos como a tratam?

Por Mariana! Em Lisboa já sou a Joana.

É a primeira vez que se cruza numa ficção com o seu avô Raul Solnado?

É a primeira vez, sim. Cruzámo-nos apenas umas duas vezes na novela e nem falámos um com o outro. Talvez lá mais para a frente tenhamos possibilidade de contracenar mais.

Joana Solnado
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A Mariana anda descalça. E corre assim pelos campos. Nunca se magoou?

Inicialmente piquei-me algumas vezes. Agora já tenho os pés mais calejados! Hoje, até paro os ensaios para me descalçar. Preciso de sentir a energia da terra que faz vibrar a Mariana. Na rua, as crianças quando me vêem estranham ver-me calçada.

Dá muito trabalho ter essa cabeleira longa, ondulada e aparentemente desalinhada?

Dá imenso trabalho, tenho de me pentear o dobro das vezes e tratá-la muito bem para se poder fazer dela o que se precisa.

Como correram os testes de imagem da sua personagem?

Pela primeira vez numa novela não fiz testes de imagem, porque acabei o ‘Tempo de Viver’, tive uns dias de férias, pus as extensões e comecei logo a gravar. A personagem já estava muito delineada na cabeça dos produtores.

E como resistiu ao Inverno envergando vestidinhos tão leves?

Tinha de tomar um antipirético antes de começar a gravar, outro durante as gravações e ainda outro no final. Nunca apanhei uma gripe, mas estive sempre na eminência… E tomei imensa vitamina C e muito sumo de laranja.

Qual foi o contributo maior que deu à Mariana?

Ela é a personagem de televisão que mais me obriga a ir à Joana buscar emoções para emprestar à Mariana.

Que vai fazer a seguir à novela?

Vou tirar umas férias que bem preciso. Tenho muitos projectos, mas nada de concreto. Porém, deverei fazer uma pausa em TV. Está na altura de fazer uma reciclagem.

Como estão a correr as contracenas com Eunice Muñoz?

No primeiro dia de gravações estava nervosíssima. Senti uma grande responsabilidade. E tem sido muito especial gravar com ela. Foi um grande presente que me deram.

Que aprendeu com ela?

Muita coisa…. mas, como ainda só gravei duas vezes com a Eunice Muñoz, não sei dizer o que foi que me fez crescer mais. Mas há detalhes, coisas aparentemente sem importância, mas que são fundamentais. Às vezes só um olhar ou a respiração da Eunice são uma grande riqueza na contracena.

FASCÍNIO PELA LIBERDADE

“EU MESMA ADORAVA SER A MARIANA”

Joana Solnado não tem dúvidas. É a liberdade da sua personagem, que desconhece a rigidez das normas e horários, e que vive em comunhão com a Natureza, que tanto cativa os telespectadores de ‘Ilha dos Amores’, na TVI. “A nossa vida em sociedade é tão regrada, tão cheia de imposições e limitações que qualquer fresta de liberdade encanta o público. Eu mesma adorava ser a Mariana”, diz Joana Solnado explicando a empatia que a personagem cria não só com o público adulto mas também com o mais jovem.

Joana Solnado
(Clica na imagem para ampliar)

PERFIL

Estreou-se no teatro em 2002 com ‘Confissões de Adolescente’. Na TV fez ‘Morangos Com Açúcar, ‘O Último Beijo’ e ‘Tempo de Viver’. A convite da TV Globo integrou o elenco da novela ‘Como Uma Onda’ com Ricardo Pereira. No cinema, a neta de Raul Solnado fez duas curtas-metragens.
Fonte: CM


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