Joana Verona em novo filme de Marco Martins

Maio 6th, 2010 Colocado em Morangos

Um tema picante e dois jovens actores-revelação. Numa Lisboa decadente, resquícios do que resta da burocracia em vias de extinção, “Como Desenhar um Círculo Perfeito” – em estreia esta quinta-feira – explora um dos mais velhos tabus: o incesto.

Dois irmãos gémeos, Guilherme (Rafael Morais) e Sofia (Joana Verona), descobrem a sexualidade da forma mais claustrofóbica e menos natural. Ele é obcecado por ela, ela quer sair daquela bolha que é a família desagregada. Em crianças, Sofia prometera ao irmão perder com ele a virgindade. Será que vai a tempo de cumprir a promessa?…

Cinco anos depois do mais premiado filme português, Alice, Marco Martins regressa ao grande ecrã com mais um drama amargurado e feito de tons escuros, azuis que pintam o sofrimento de cada elemento de uma família em ruptura.

E porquê a “tara” dos círculos perfeitos, dom do jovem protagonista? “Quando estava a escrever o filme, vi uma imagem de um professor de geometria descritiva em Ottawa, no Canadá, que fazia um círculo perfeito à mão levantada e a imagem era fantástica. Achei que fazia sentido na história e decidi ir ao Canadá conhecer este professor e ver como se fazia”, explicou ao CM.

De lá, trouxe a técnica que aliou à prática. “Com o braço esticado, ao fim de umas horas a treinar, consegue-se fazer um ou dois círculos perfeitos”, conclui o cineasta, secundado por Rafael Morais, protagonista deste drama envolvente.

O círculo perfeito acaba também por ser uma metáfora do mundo limitado de Guilherme, onde com a irmã, numa relação fechada, ele respira a vida como se só isso lhe bastasse. Mas a irmã quer ver o mundo e sair daquele mundo sufocante. Guilherme escapa-se então para casa do pai, também ele com as suas obsessões, mas acaba por voltar para a irmã.

Um drama familiar que explora com extrema sensibilidade as angústias e turbulência da adolescência bem como as relações de uma família em ruínas.

Em tons azuis e com Lisboa em fundo, Marco Martins volta a provar um talento inquestionável para a construção narrativa e um olhar original de apurado sentido estético. Os dois jovens actores – com a ajuda de um sempre perturbante Beatriz Batarda – fazem o resto. Um segundo filme que em nada deve ao primeiro…

Fonte: Correio da Manhã


Deixa um comentário