Marta Faial: “Seria egoísta se tivesse um filho agora”

Setembro 25th, 2010 Colocado em Morangos

Marta Faial

A relação com Ian Velloza segue de vento em popa mas a actriz, de 25 anos, confessa que não acredita no casamento. Para já, também não estão reunidas as condições para ser mãe. Em termos profissionais, o cinema continua a ser o seu objectivo.

– Está há algum tempo afastada da televisão. O que tem feito?

– Estive fora do país a fazer workshops, voltei, e tive que lutar pelo meu lugar nesta área. Tenho feito muitas curtas–metragens e tem sido uma experiência muito boa para mim. É um cheirinho do cinema que nunca tive. Também tenho feito publicidade e moda, que já não fazia há algum tempo. Foi o voltar a experiências de que já me tinha afastado.

– Tem saudades das novelas?

– Adoro teatro, televisão e cinema, mas a minha paixão, aquilo onde me foco, é o cinema. Mas tenho saudades de televisão, do ritmo, de todo o processo de filmagens.

– Tem projectos para voltar em breve?

– Na televisão, não, mas tenho para outras coisas. Ainda não posso falar sobre eles porque está tudo muito no início.

– Quando terminaram as gravações dos Morangos com Açúcar, pode dizer-se que estava no auge da sua carreira enquanto actriz. Porque é que decidiu partir para os EUA?

– Ainda estive a fazer dois musicais com os Morangos, fiz outro, As Histórias da Carochinha, participei no elenco adicional da Rebelde Way (SIC), e depois, sim, fui estudar. Fui durante quatro meses, voltei e fui mais quatro.

– Considera que esse tempo em que esteve fora prejudicou o seu sucesso?

– É sempre um risco sair do País. Há muitas raparigas da minha idade, todas elas bonitas, profissionais e com vontade de chegar mais longe, e é óbvio que se me afasto perco o meu lugar. Foi um risco, mas achei que naquele momento da minha vida a prioridade era a formação. Não perdi tempo nenhum, porque aquilo que ganhei a nível profissional vai-me compensar daqui para a frente em qualquer trabalho.

– E em termos pessoais, o que retira da experiência?

– Foi uma óptima experiência. Fui para lá e nem sequer tinha casa. Fui para Newark, uma comunidade Portuguesa, e conheci muita gente.

– Foi com o Tiago Castro, que na altura era seu namorado.

– Sim, fui com o meu namorado da altura, e ele ainda mora lá. Acabou o segundo ano do curso e está a pensar ficar lá.

– A Marta também ponderou ficar?

– Gostava de morar lá mas legalmente é um processo complicado. Quem está a estudar não pode trabalhar, e sem estar a trabalhar é uma cidade muito cara.

– No tempo em que viveu em Nova Iorque, contou com a ajuda financeira da sua família?

– Não. Desde miúda que ganho com o meu trabalho. Com 14 anos, se a minha mesada não chegava ia trabalhar. Fiz de tudo. Distribuí papéis na rua, servi às mesas, trabalhei num bengaleiro… Sempre fui muito independente. Aliás, os meus pais até se chateavam comigo porque não lhes perguntava se podia ir viajar, eu ia viajar. É claro que eles me deram esta liberdade porque também mostrava que era madura para a idade. Quando fui para os EUA, trabalhei, juntei dinheiro. Depois voltei, trabalhei mais um pouco, e lá fui eu outra vez.

– Um dos trabalhos que teve foi como barmaid numa discoteca em Lisboa.

– Sim. Não sei como é que as outras pessoas lidam com esta situação. A minha paixão é a representação, mas toda a gente tem as suas contas para pagar. Nada se faz do ar. Se uma pessoa quer uma coisa tem que lutar por ela, e foi o que fiz.

– Saltou do anonimato para a fama de repente. Como é que foi lidar com essa situação?

– Foi bastante complicado. Já estava a gravar há um ou dois meses quando a série entrou no ar. Tinha o meu grupo de amigos e lembro-me de ter ido ao Bairro Alto uma semana após a novela ter estreado e eles não aguentaram. Isso foi muito duro para mim. Eles não sabiam porque é que as pessoas me estavam a tratar por outro nome, porque é que andavam atrás de mim e porque é que se metiam no meio do grupo.

– A sua mãe foi uma modelo famosa. Deu-lhe conselhos?

– A minha mãe, nessa altura, tinha acabado de chegar de Luanda, portanto também não sabia muito bem o que se estava a passar. Mas ela sempre soube que eu era adulta, responsável, e que tinha juízo. Nunca se preocupou muito.

– Não se deixou deslumbrar?

– Não, principalmente porque estava extremamente cansada. Foi uma fase estranha da minha vida. Sempre fui muito independente. Fazia as minhas coisas, ia ao centro comercial, ao cinema. Mas houve uma parte do tempo em que deixei de o fazer, porque não conseguia.

– Foi para os EUA para ter mais formação enquanto actriz mas a verdade é que não tem tido muitos trabalhos. Como explica esse facto?

– Acho que toda a gente tem um percurso a fazer. Há uns que chegam ao topo muito rápido, outros têm um percurso mais difícil, mais labiríntico. Mas tem o seu sentido, é porque tenho coisas para aprender até lá. Além disso, não me posso queixar, porque tenho tido experiências óptimas. É claro que não tenho tido o impacto que as novelas trazem mas, sinceramente, não sinto falta disso. Gosto de trabalhar, gosto de que gostem do meu trabalho, mas não necessariamente do que traz a fama.

– E a moda, que papel tem na sua vida?

– A moda está presente na minha vida desde que nasci. A minha mãe foi uma manequim com bastante visibilidade nos anos 80, e eu era bebé, então acompanhava-a para todo o lado.

– Mas também faz trabalhos nessa área.

– Cheguei a fazer uma Moda Lisboa e adorei, mas não tenho altura nem corpo para ser manequim desse género. Passados quase dez anos a situação inverteu-se. Há mais figuras públicas a fazer desfiles. A própria noção de moda e modelos alterou-se um bocadinho.

– Quando era criança e via a sua mãe na passerelle, sonhou conquistar o mesmo lugar que ela?

– É estranho, porque sentia-me muito bem naquele meio, mas nunca queria ser o que ela foi. Nunca quis estar lá em cima.

– Como é a relação que tem com o seu corpo?

– Sofro de um problema desde miúda, fui sempre muito magra. Cheguei ao ponto de comer três pratos de Cerelac para ver se ganhava uns quilinhos para ficar normal. Mas nunca aconteceu. É o meu metabolismo.

– Hoje já aceita melhor a sua magreza?

– Não, continuo em busca dos quilos perdidos. Consigo ganhar um ou dois quilos com muito esforço, através da musculação e da alimentação, mas se estou cansada ou doente perco imediatamente. Gostava de ter mais uns quilinhos, mas é normal.

– Quando foi capa da Playboy, disse que o seu objectivo era mostrar uma Marta mais adulta. Pelo feedback que tem tido, acha que conseguiu?

– Posso dizer que surpreendi muita gente. A mim própria também fez ver as coisas de outra maneira. Senti-me mais feminina, mais mulher. Não é lá muito fácil para ninguém fazer aquele tipo de trabalho e eu consegui. E passei a sentir-me muito mais à vontade com o meu corpo.

– E em termos profissionais, foi mesmo vantajoso?

– Houve coisas que me valorizaram, outras que não. Afastei-me de certos tipos de trabalhos, aqueles que estão associados a crianças.

– Algumas mulheres queixaram-se de falta de pagamento por parte da revista. Também lhe aconteceu o mesmo?

– Não posso falar sobre esse assunto.

– Quando não está a trabalhar, o que gosta de fazer?

– Estar com os meus amigos. Tenho o mesmo grupo de amigos há dez anos e quando não estou com a minha família estou com eles. Também gosto de estar em casa com os meus dois gatos a ver televisão.

– Mora sozinha?

– Neste momento estou a morar com o meu irmão mais novo, porque a minha mãe está em Luanda a trabalhar.

– É boa dona-de-casa?

– Sou uma verdadeira fada do lar. Nesta semana, então, esmerei-me a cozinhar, ando a experimentar receitas novas. Tenho ataques de limpeza e limpo tudo. Além disso, quando há problemas eléctricos também entro em acção.

– Mantém uma relação com o actor Ian Velloza, morar com ele é o próximo passo?

– Tive uma relação longa e preciso de ir com calma. Não é uma coisa que esteja fora da minha cabeça mas também não há pressa para isso.

– E casar faz parte dos seus planos?

– Infelizmente, não acredito no casamento. Quase toda a gente que conheço viveu durante dez, doze anos, em conjunto, a partir do momento em que se casam tudo muda. Não sei o que se passa, se são os papéis, a pressão legal… Por isso, não me fascina muito a ideia de casar. Mas gosto da ideia de uma cerimónia, mas não na Igreja.

– Não é católica?

– Não, sou agnóstica. Acredito, realmente, que haverá algo, mas não acredito na Igreja. Já estive em quase todas as igrejas do País, em Espanha, no Vaticano, e há coisas com as quais eu não concordo.

– O seu namorado compartilha a sua opinião em relação ao casamento?

– Sim. Passa pela nossa geração. Por exemplo, de 20 amigos sou capaz de ter apenas três que tenham os pais juntos. Pertencemos a uma geração de pais separados e, infelizmente, está-nos incutida a ideia de que as coisas não duram para sempre. É uma questão de gerirmos as coisas, tentarmos ser felizes enquanto durar.

– Já pensa na maternidade?

– Para já, não. Seria muito egoísta se trouxesse uma criança ao Mundo quando não estou preparada para isso. Não tenho estabilidade emocional nem financeira. Ter filhos não é uma brincadeira, é um assunto muito sério. A partir do momento em que se tem um filho, a vida é do filho, não é nossa, e eu acho que tenho muito para fazer até lá. Daqui a oito, dez anos, talvez.

– É romântica?

– Sou romântica, mas não demonstro muito. Fico na minha a sonhar, mas sim, tenho os meus momentos. Preparo um jantar diferente, recordo-me de todos os sítios onde houve coisas especiais, das datas…

– Gosta mais de fazer surpresas ou de ser surpreendida?

– Fazer surpresas. Fico estoirada, porque tento fazer tudo das formas mais difíceis.

– O que foi necessário o Ian fazer para conquistá-la?

– Foi um conjunto de factores. O sentido de humor, o facto de ser inteligente, de gostar de viajar e de experimentar coisas novas.

– Considera que encontrou o companheiro ideal?

– Neste momento, sim.

INTIMIDADES

– Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

– O Jack Nicholson. É um dos meus actores favoritos. É um homem que nunca teve formação na vida mas que tem aquilo dentro dele. Faz mil e um papéis diferentes. É uma pessoa que me fascina e que eu adorava conhecer.

– Não consigo resistir a…

– … comida de plástico, principalmente hambúrgueres.

– Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?

– No feitio, deixava de ser tão autocrítica, sou-o de mais. No meu corpo, engordava mesmo uns quilinhos.

– Sinto-me melhor quando…

– … vou à praia e leio um livro.

– O que não suporta no sexo oposto?

– A arrogância.

– Qual é o seu pequeno crime diário?

– Comer demasiado antes de ir dormir.

– O que seria capaz de fazer por amor?

– Por amor fazia tudo.

– Complete. A minha vida é…

– … um livro em aberto. Ainda tenho muito, muito para fazer. Não sei aonde vou parar, espero que seja onde quero e como quero. Mas, se não for, hei-de encontrar o caminho e fazer coisas de que goste.

PERFIL

Marta Faial tem 25 anos e popularizou-se com a série Morangos com Açúcar (TVI), onde conheceu Tiago Castro, com quem namorou durante vários anos. Hoje vive um romance com o actor Ian Velloza. É filha da conceituada modelo Ana Marta.

Fonte: Correio da Manhã


1 Comentário em “Marta Faial: “Seria egoísta se tivesse um filho agora””

  1. silas Says:

    ola daniela dos morangos es mesmo linda ya



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