Ângelo Rodrigues: “Pretendo realizar os meus filmes”

Outubro 5th, 2009 Comentar   Colocado em: Morangos

O actor, de 22 anos, nasceu no Porto mas viveu até aos 18 anos em Vila Nova de Gaia. Faz de Germano em “Deixa que Te Leve” (TVI) e divide-se entre o cinema, o teatro, a televisão e a música. Ambiciona gravar um CD no qual escreve as letras e canta. Enquanto isso é DJ, com uma agenda preenchida com vários eventos.

– Quando é que decidiu deixar Vila Nova de Gaia e vir para Lisboa?

– Tinha que vir para a capital, porque é óbvio que em Portugal as coisas estão mais centralizadas em Lisboa. Há mais oportunidades do que no Porto, por exemplo. Mesmo se para quem já tem uma carreira é muito difícil estar noutra cidade, imaginem para quem não tem carreira nenhuma e quer começar a trabalhar… O meu objectivo era só acabar entretanto o décimo segundo ano e vir para Lisboa trabalhar e estudar.

– Veio para a capital com que idade?

– Tinha 18 anos e a minha prioridade era estudar e sustentar-me. Inscrevi-me num curso de Artes do Espectáculo na Faculdade de Letras e tinha um objectivo muito imediato, que era arranjar um trabalho em duas semanas. O meu primeiro emprego foi no Lux, onde fui barman durante seis meses. A partir daí começaram a surgir oportunidades e foi muito complicado conciliar os horários com os estudos. Trabalhava à noite, estudava de dia, e a seguir fui convidado para fazer televisão. Fiz então umas quantas directas, o que não é nada aconselhável sobretudo para a nossa performance e o nosso bem-estar psicológico.

– Qual foi o seu último trabalho?

– Foi no filme “Está Onde Menos se Espera”, realizado por Joaquim Leitão, no qual tenho uma pequena participação. Esta, pode mesmo dizer-se, foi a minha estreia no cinema. Tinha entretanto acabado os “Morangos com Açúcar” e disse à minha agente que adorava fazer cinema – e o convite caiu mesmo de pára-quedas. Fiz uma pequena aparição, como dono de uma loja de música. É pequena mas já dá para ter um saborzinho especial.

– Como e quando é que se estreou em televisão?

– Participei na novela “Doce Fugitiva”, na TVI, em 2006. Fazia de Frederico, ele tinha um temperamento especial e era um bocado racista. A personagem era para ser maior mas surgiu-me outro projecto, mais duradouro, e optei por ele. Era o “P.I.C.A”, na RTP 2, um magazine cultural que misturava a ficção e a realidade. Adorei fazer, e acho que o programa quebrou algumas barreiras, foi pena ter acabado. Quando terminou fiz um casting para os “Morangos com Açúcar” e um workshop de interpretação, voz e câmara, que durou cerca de dois meses. Fui seleccionado para entrar na quinta temporada, na pele de Luís Ferreira, um jogador de andebol.

– Foi nesse workshop que conheceu a sua namorada, Vanessa Martins?

– Sim, nós trabalhámos juntos no núcleo dos cinco protagonistas e começámos a namorar. Namoramos há dois anos.

– E em teatro, o que é que já fez?

– Estudei em Santa Maria da Feira e tive oportunidade de integrar uma companhia de teatro semiprofissional e fazer “A Lamentação da Mula”, em 2003, e no ano seguinte “Designação”, peças que foram encenadas por Jorge Castro Guedes. Essa foi a minha porta de entrada. A minha escola tinha um auditório, que estava em boas condições, mas o espaço não era muito aproveitado; fui falar com a dona da escola e propus-lhe começar a escrever as peças, encená-las e interpretá-las. Foi assim que nasceu o bichinho da representação.

– Essa oportunidade de fazer televisão foi primeiro na novela “Doce Fugitiva”, depois no “P.I.C.A.” e a seguir nos “Morangos”…

– Sim. Podem dizer muito mal dos “Morangos” mas o que é certo é que o grande intuito é formar novos talentos, e nisso a TVI ganhou a aposta. É uma grande escola de actores. Os “Morangos” acabaram por quebrar muitos tabus, foram abordados temas como drogas, álcool, sexo e muitas outras coisas que acontecem nas escolas, só que até então não se falava delas. Já chega de a nossa sociedade ser tão retrógrada.

– Fez também um telefilme…

– Sim, foi “Pelas Próprias Mãos”, onde era o Zé João. É curioso que assim que acabei os “Morangos” estava no ar “Casos da Vida”, da TVI, e houve a oportunidade de fazer um. O realizador era um dos argumentistas do “P.I.C.A.”, o Artur Ribeiro. Sempre ficou subjacente o gosto de voltar a trabalhar com ele. A personagem foi escrita de propósito para mim e tive oportunidade de fazer uma coisa completamente diferente. Era um rapaz da aldeia cujo único objectivo era beber. O meu personagem e o do Manuel Melo violaram uma rapariga. Depois sofreram as consequências desse acto. O “Caso da Vida” permitiu-me também trabalhar com Nicolau Breyner, que só por si é uma instituição.

– E a seguir?

– Fiz o filme “Corações Partidos”, onde era o Rafael. Foi um projecto levado a cabo por seis realizadores que frequentaram o mesmo ano no Conservatório. Pediram um subsídio através da produtora Rosa Filmes. O objectivo era contar a história de cinco elementos de uma banda em que cada um realizava um segmento. São cerca de 20 minutos para cada segmento, que corresponde a cada um dos personagens e tudo o que gira à sua volta. Tive a oportunidade de fazer o Rafael. Apesar de ter pouco diálogo, adorei essa vertente, porque nos estimula. Não podemos tirar partido das palavras. Temos de conseguir dizer tudo com o olhar e os nossos gestos. Filmei durante 15 dias, de madrugada, e acordava às sete da manhã para ir gravar a novela “Deixa Que Te Leve”. Saía às 20h00 dos estúdios para estar à meia-noite nas filmagens. Foram mais umas quantas directas – mas estou aqui para fazer sacrifícios pela profissão. Quem corre por gosto não cansa.

– Para quem queria experimentar fazer um filme, acabou por fazer vários.

– É verdade, trabalhei com excelentes actores e realizadores. Aos bocadinhos, vamos tirando o que de bom tem esta profissão, que é conhecer essas pessoas, e o facto de poder trabalhar com elas vale por mil workshops e cursos. Estamos a ter uma aula ao vivo.

– A sua família vê os trabalhos que faz em televisão, por exemplo?

– Eles [pais e três irmãos] vêem, claro. Mas eu não gosto das críticas familiares, porque são sempre positivas, qualquer coisa que façamos eles gostam e dizem que vamos muito bem no nosso papel. Quando quero que o meu ego fique em cima telefono-lhes. Mas para ter uma opinião construtiva recorro a colegas. Eles dizem sempre o que pensam. No entanto, às vezes, não estou preparado para ouvir algumas coisas…

– De 2004 até 2008 fez vários workshops…

– A formação é a base de qualquer actor. Pode haver talento, que é essencial, mas a formação é a base de tudo. Há pessoas com muito talento mas que se desleixam na formação, e depois vão-se perdendo pelo caminho; e há pessoas com menos talento que por apostarem na formação acabam por tornar-se igualmente boas.

– Quais são os seus actores de referência?

– Para mim, o melhor actor português deste momento é o Ivo Canelas. Ele é fantástico e está a tornar-se, aos trinta e tal anos, o melhor da sua geração, sem dúvida. Estou maravilhado com a actuação dele desde as longas-metragens à “Liberdade 21” (RTP 1). A nível internacional, gosto do Robert De Niro, que é um autêntico camaleão. Ele domina tudo, desde a comédia ao drama, consegue ser muito versátil e completo em todos os sentidos. Também gosto de Al Pacino e do Jack Nicholson.

– Com quem gostaria de contracenar?

– Adorava poder trabalhar com o Ruy de Carvalho e com a Eunice Muñoz, pelo que eles representam e o que fizeram pela nossa arte. Sinto uma grande curiosidade em relação à Alexandra Lencastre, gostava de saber como é contracenar com ela. A par do Ivo Canelas, gostaria também de estar ao lado de Beatriz Batarda, Filipe Duarte, Gonçalo Waddington, Nuno Lopes, João Lagarto e Marco d’Almeida.

– Tem algum guionista com quem gostaria de trabalhar?

– Gostave de trabalhar com o Rui Vilhena. Desde os ‘Bastidores’, na RTP 1, que sou fã dele. Gosto do estilo, do ritmo, da dinânica e dos conflitos interiores que dá às personagens.

– Pensa, entretanto, investir numa carreira internacional?

– Quero tornar-me cada vez melhor e mais completo e ter a oportunidade que, por exemplo, o Diogo Morgado teve de contracenar com o Al Pacino. Quero manter os pés assentes na terra. Há um milhão de pessoas a quererem ir para Hollywood e singrar lá. Obviamente que eu tenho esse sonho.

– Fez um workshop de câmara. Quer passar para trás das câmaras?

– Vou agora começar a estudar realização na Escola Técnica de Imagem e Comunicação. Vou querer realizar os meus filmes no futuro, e até lá espero que a nossa indústria se desenvolva e comecemos a ter mercado cá em Portugal. Já fiz formação em guionismo e estou a escrever uma curta-metragem. Quero tornar-me o mais completo possível. Gostava de chegar ao nível do Woody Allen, mas a primeira fase é realizar e talvez escrever o guião, se conseguir fazer isto já me sinto feliz. Talvez mais tarde represente também.

– Fez também rádio?

– Começou por ser uma brincadeira mas acabou por ser muito produtivo. Ajuda-nos a colocar a voz e a libertá-la, a ter sempre o discurso preparado. Tive um programa meu, uma vez por semana, chamado “Oxigénio”, na Rádio Águia Azul [Santa Maria da Feira], e isso ajudou-me bastante.

– Também está ligado à música…

– Tenho um projecto, desde os 16 anos, que é o lançamento de um álbum. Sou eu que escrevo as letras, canto e trabalho com outros produtores, só não componho a música. A música é a minha grande paixão, a par da representação, e surgiu a oportunidade de começar a passar som como DJ. E tenho tido sorte.

– Agora é o Germano de “Deixa Que Te Leve”.

– É a minha primeira novela pós-“Morangos”. Há sempre aquela barreira dos que só se ficam pelos “Morangos” e desaparecem e os que continuam a trabalhar. Foi-me dada essa oportunidade e estou a adorar o personagem.

REFLEXO

– O que vê quando se olha ao espelho?

– Insegurança. Uma mistura de vulnerabilidade com necessidade de auto-realização. Até porque, para que os outros acreditem em mim, é preciso que eu acredite em mim próprio. É difícil mas tento camuflar isto tudo da melhor maneira.

– Gosta do que vê?

– Cada vez mais. Tenho andado a tolerar mais a percepção que tenho de mim próprio.

– Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?

– Acho que acontece com toda a gente. Por vezes vejo-o um pouco embaciado, por causa de uma suposta ideia de auto-imagem. Digamos que já apanhei muitos cacos do chão – mas consigo sempre reconstruí-lo.

– Quem gostaria de ver reflectido no espelho?

– Só quem tem uma grande falta de auto-estima gostaria de ver outra pessoa reflectida no espelho. Eu, claro.

– Pessoa de referência?

– A minha tia, Estrela Novais. Um exemplo de força, sobrevivência e vitória.

– Momento marcante?

– A minha mudança para Lisboa. Agarrei nas malas e vim assim, sem mais nem menos. Mas a vida é feita de decisões: algumas boas, outras nem por isso. Desta não me arrependo.

– Qualidades e defeitos?

– Defeitos? Tudo o que possam dizer de mim. Qualidades? Quem me conhece sabe.

Fonte: Correio da Manhã

Vencedores dos Prémios GM 2009 (1/4) – Ângelo Rodrigues

Maio 26th, 2009 Comentar   Colocado em: Morangos

Ângelo Rodrigues

Melhor Actor do Ano em Horário Nobre

2008-2009

Nascido a 9 de Setembro de 1986, em Espinho, Ângelo André Rodrigues Araújo é actor, modelo e DJ. Iniciou a sua carreira televisiva no magazine cultural P.I.C.A., transmitido pela RTP2; foi a primeira de várias intervenções em programas no âmbito da música e cultura juvenil. Transitou depois para as produções da TVI, onde passou pela novela Doce Fugitiva e ganhou notoriedade como Luís em Morangos com Açúcar. Em 2008 foi o rosto da campanha Sumol Morangos ao lado da namorada Vanessa Martins. Depois de uma participação em Casos da Vida, podemos actualmente vê-lo na novela Deixa Que Te Leve a interpretar Germano.

Nomeado por: Casos da Vida – Pelas Próprias Mãos

Dia dos Namorados

Fevereiro 14th, 2009 7 Comentários   Colocado em: Morangos

Hoje celebra-se o Dia dos Namorados, e o Geração Morangos presta homenagem a todos os jovens casalinhos de actores que a série Morangos com Açúcar juntou, entre eles:

Ana Guiomar e Diogo Valsassina; Cláudia Vieira e Pedro Teixeira; Joana de Verona e Pedro Caeiro; Mariana Monteiro e Daniel Cardoso; Marta Faial e Tiago Castro; Patrícia Candoso e João Catarré; Rita Pereira e Angélico Vieira; Sara Kostov e Filipe Noronha; Sara Prata e João Rodrigues; Sofia Ribeiro e Nuno Janeiro; Vanessa Martins e Ângelo Rodrigues.

Desejamos a estes casais, bem como a todos os outros, as maiores felicidades e muitos momentos felizes não só no dia de hoje como em todos os dias que passarem juntos.

Feliz Dia dos Namorados!

Prémios Geração Morangos 2009

Fevereiro 4th, 2009 12 Comentários   Colocado em: Morangos

A votação do Geração Morangos para eleger os melhores actrizes e actrizes jovens de 2008-2009 já começou, e todos os votos contam para determinar quem vencerá… Incluíndo o teu! Visita já o Fórum e escolhe os teus preferidos de entre nomes como Ângelo Rodrigues, Anita Costa, Francisco Côrte-Real, Ivo Lucas, Laura Galvão, Miguel Nunes, Pedro Rodil, Sara Salgado ou Sofia Arruda. Os vencedores serão premiados no dia 20 de Maio de 2009 de acordo com a tua escolha!