Francisco Côrte-Real e a Geração à Rasca

Março 30th, 2011 1 Comentário   Colocado em: Morangos

Filho e neto de actrizes, Francisco Côrte-Real, 24 anos, cresceu nos bastidores do Teatro, mas nunca quis ser actor. Demasiado tímido, sentia-se incapaz de enfrentar multidões. Aos 18 anos entrou “por acidente” na série Morangos com Açúcar, da TVI. Tomou-lhe o gosto e hoje é um dos actores mais requisitados da sua geração.

A novela Anjo Meu acaba de estrear na TVI. Já teve reacções ao seu personagem Duarte Vilela?
O meu personagem só apareceu no segundo episódio e a reacção que tive foi a de uma amiga sobre o meu cabelo que achou muito giro (risos) e da minha mãe a dizer que tinha gostado muito, algo normal da parte de uma mãe.

Qual o seu papel nesta novela?
Sou um artista plástico que estudava em Brooklyn (Estados Unidos), na Escola de Belas Artes, onde conheceu a namorada, a Teresa (Joana Duarte). Ela vem para Portugal ter com a família e ele vem com ela. Quando chega cá a sua personalidade contrasta com a mentalidade portuguesa dos anos 80, de uma pequena aldeia do Alentejo.

Não é a primeira vez que o Francisco e a Joana Duarte contracenam. Como está a ser este reencontro?
Somos muito amigos. A primeira vez que fizemos par amoroso foi nos Morangos com Açúcar, depois nos Olhos nos Olhos, no Meu Amor e agora em Anjo Meu. Esta é a quarta vez que contracenamos e já estamos mais que habituados a isso.

É difícil fazer cenas íntimas com uma amiga?
A Joana é tão minha amiga que é como se fosse um rapaz, até costumo chamar-lhe João na brincadeira. Somos os dois profissionais, temos confiança um com o outro e não há qualquer tipo de limitação entre nós.

O seu personagem, o Duarte Vilela, é um rebelde. Existe alguma semelhança entre o Duarte e o Francisco?
Não sou propriamente um rebelde que ponha tudo em causa, portanto, acho que não terá muito a ver comigo. O Duarte também não é bem uma pessoa que vai mudar alguma coisa. Tem é uma personalidade mais “open mind” (mente aberta). Para ele, a vida é simples e o “diz-que-disse”, tão típico de Portugal e das famílias portuguesas, quase que o diverte.

Esta personagem obrigou-o a alguma preparação especial?
Sim. Obrigou-me a ver algumas imagens dos anos 80 como os videoclips do Sting, por exemplo. Vi também um documentário que o Paulo Pires me sugeriu do pintor Basquiat. Tive de pesquisar como eram as pessoas nos anos 80. A minha personagem irá começar a trabalhar numa olaria e, por isso, também tive o apoio de uma amiga da minha mãe que trabalha como oleira.

A sua mãe (Teresa Côrte-Real) é actriz, assim como a sua avó materna (Madalena Braga). Tiveram alguma influência na escolha da sua profissão como actor?
Não. Quanto muito tiveram influência no facto de eu admirar este meio e de estar envolvido nele desde pequeno. Sempre fui muito ao teatro, estive muito nos bastidores do Teatro Nacional Dona Maria II (TNDM), onde a minha avó materna era actriz, e no Teatro Experimental de Cascais, onde a minha mãe é actriz. Sempre convivi com muitos actores desde pequeno, sempre vi os ensaios e as estreias da minha mãe e da minha avó. O meu avô materno também era contra-regra no TNDM. Desde pequeno que admiro e gosto muito de teatro. Mas sempre fui muito envergonhado e em pequeno era mais ainda. Nunca tive o espírito de querer representar, de querer mostrar-me às pessoas. Corava com muita facilidade. Às vezes, ia assistir às aulas da minha mãe e se ela me pedisse para fazer um comentário sobre a actuação dos alunos dela, só me queria esconder em algum lado para não ter que falar em frente a todos.

Então como chega a actor?
Aconteceu por acidente. Estava na faculdade, queria ter dinheiro para as minhas coisas e estava inscrito em agências. Trabalhava no Pavilhão Atlântico para ganhar o meu dinheiro, quando surgiu o casting dos Morangos. Fiquei e, a partir daí, os trabalhos têm vindo a suceder-se. Cada vez gosto mais e sinto que posso evoluir. Aprendi a gostar, mas não era um sonho que tinha.

Como tantos actores da sua geração, ficou conhecido pela sua participação em Morangos com Açúcar (2005). A série é realmente uma escola de actores? Sente saudades desse tempo?
Sinto. Foi, sem dúvida, o projecto mais importante que tive. Mudou a minha vida. Estava na faculdade a tirar Relações Públicas e Publicidade, ia seguir um determinado percurso e os Morangos mudaram completamente a ideia do que queria para a minha vida. Foi ali que conheci pessoas extraordinárias e a maioria dos meus colegas dos Morangos ficaram meus amigos para a vida. Ali, aprendi a gostar de representar.

Acabou por não terminar o curso de Relações Públicas e Publicidade?
Não terminei. Para se trabalhar neste meio também temos que aprender e é isso que quero agora. É esta a área que gosto, quero e me dá prazer. Também me agrada a área da realização. Neste momento estou a fazer um workshop com o John Fray, um actor americano e gostava de estudar no Brasil com a Fátima Toledo. De maneira nenhuma vou voltar ao meu curso.

Vivemos em tempos de crise. Esta conjuntura não contribui para arrefecer esses planos, essa vontade de ir para fora?
Esta crise se calhar é o que me dá vontade de fazer alguma coisa por mim, principalmente para ter mais ferramentas para conseguir não ser afectado por ela. Se se tornar insustentável a situação no país, se calhar ir para fora será benéfico para nós, jovens. A solução não passa pela atitude do “estamos em crise, então, deixa-me ficar fechado em casa, encher a despensa e ficar à espera que isto passe”. Mais do que nunca temos que correr atrás dos nossos objectivos e fazer algo por nós.

Sente que faz parte da chamada ‘Geração à Rasca’?
Claro que sim. Sinto-o na pele. Sempre se ouviu falar na crise, de Portugal ser um país pobre, etc.. Mas antes não era eu que pagava as minhas contas ou tinha que fazer contas à vida. Hoje já sinto na pele os impostos que aumentam e os salários que diminuem.

É uma pessoa que se preocupa com a situação actual do país? Com aquilo que se passa à sua volta?
Sim. Gosto muito de viajar, é uma das coisas que aproveito para fazer quando não estou a trabalhar. Apercebo-me que o nosso país, não sendo o pior, de terceiro mundo, é um país muito injusto. Aqui é difícil começar um projecto do zero e ter sucesso. Mas foi aqui que nasci, aqui trabalho e aqui gosto de viver. Por isso, também acho que não será o fim do mundo…

Como ocupa os tempos livres?
O Verão é sempre passado ao pé da praia, no mar. Gosto muito de cinema, teatro, também gosto de estar no meu quarto a fazer as minhas coisas, sem ninguém a chatear-me. Devoro filmes, faço colecção de DVD. Vou muitas vezes para o Porto e Braga ter com os meus amigos do Norte.

Mantém a sua vida privada longe do grande público e ninguém lhe conhece uma namorada. É uma opção sua ou não tem tempo para namorar?
Claro que tenho, mas essas coisas não se escolhem por termos tempo ou não. Não se procura uma namorada, as coisas acontecem quando têm de acontecer. Também não namoro com facilidade. É preciso muita coisa, na minha maneira de ser, para namorar com alguém. Neste momento estou bem assim. Também não faço questão, quando tiver uma namorada, de dar uma conferência de imprensa a apresentá-la. Prefiro que seja uma coisa minha.

Escolheu o cenário da clínica CM2C para fazermos esta entrevista. Tem alguma preocupação especial com a estética?
Sim. Aqui na clínica já usufruí da depilação a laser e vou fazer agora um branqueamento. São coisas que valorizo, acho que é importante termos cuidados e gostarmos do nosso aspecto. Não acho que seja um assunto exclusivo das mulheres.

Faz exercício físico, tem cuidados com a alimentação?
Sim. Não sou obcecado em comer apenas coisas que fazem bem, mas também não como tudo aquilo que me apetece. Tento ter uma alimentação mais ou menos equilibrada, porque cada vez mais o meu corpo reflecte aquilo que faço.

Fonte: Sapo Fama

Francisco Côrte-Real: “Não tenho nenhum projecto”

Outubro 16th, 2010 Comentar   Colocado em: Morangos

Francisco Côrte-Real

Francisco Côrte-Real está sem perspectivas de trabalho e já começa a sentir falta de ter uma ocupação. Até aparecer uma oportunidade, o actor aproveita para se divertir e viajar.

– Já acabaram as gravações da novela Meu Amor há alguns meses. O que tem feito?

– Agora estou a fazer dobragens para a série O Mundo de Patty. Já acabaram as férias, os meus amigos já voltaram cada um à sua vida e eu estou a ver o que é que surge de trabalho para decidir se vou estudar.

– Não recebeu nenhuma proposta da TVI?

– Para já não sei de nada e não tenho nenhum projecto em vista.

– Gostava de integrar o elenco de uma novela?

– Gostava, até pela segurança que dá. Se estivermos parados não desenvolvemos tanto. Para mim era bom ter um trabalho em breve. Mas se isso não acontecer, vou aproveitar o tempo da melhor maneira.

– Esta instabilidade é a parte mais negativa da sua profissão?

– É, mas ao mesmo tempo obriga a que a pessoa nunca se acomode, senão as consequência não são as melhores.

– Como tem passado o tempo?

– Fui para a Islândia, para a Croácia, estive no Porto, em Braga e no Algarve. Agora tenho aproveitado para estar mais tranquilo em casa com a família. Já preciso de me sentir útil.

– Porquê esses países?

– Fui visitar o meu melhor amigo. Era uma oportunidade única de conhecer a Islândia com alguém que lá vivia e onde tinha casa para ficar. À Croácia fui porque era suposto irem dois amigos, um não pôde ir e deram-me a viagem.

– Tem aproveitado para namorar?

– Tenho estado tranquilo com as pessoas que de gosto. [risos]

Fonte: Correio da Manhã

Francisco Côrte-Real: “Não tenho nenhum projecto”

Outubro 16th, 2010 3 Comentários   Colocado em: Morangos

Francisco Côrte-Real

Francisco Côrte-Real está sem perspectivas de trabalho e já começa a sentir falta de ter uma ocupação. Até aparecer uma oportunidade, o actor aproveita para se divertir e viajar.

– Já acabaram as gravações da novela Meu Amor há alguns meses. O que tem feito?

– Agora estou a fazer dobragens para a série O Mundo de Patty. Já acabaram as férias, os meus amigos já voltaram cada um à sua vida e eu estou a ver o que é que surge de trabalho para decidir se vou estudar.

– Não recebeu nenhuma proposta da TVI?

– Para já não sei de nada e não tenho nenhum projecto em vista.

– Gostava de integrar o elenco de uma novela?

– Gostava, até pela segurança que dá. Se estivermos parados não desenvolvemos tanto. Para mim era bom ter um trabalho em breve. Mas se isso não acontecer, vou aproveitar o tempo da melhor maneira.

– Esta instabilidade é a parte mais negativa da sua profissão?

– É, mas ao mesmo tempo obriga a que a pessoa nunca se acomode, senão as consequência não são as melhores.

– Como tem passado o tempo?

– Fui para a Islândia, para a Croácia, estive no Porto, em Braga e no Algarve. Agora tenho aproveitado para estar mais tranquilo em casa com a família. Já preciso de me sentir útil.

– Porquê esses países?

– Fui visitar o meu melhor amigo. Era uma oportunidade única de conhecer a Islândia com alguém que lá vivia e onde tinha casa para ficar. À Croácia fui porque era suposto irem dois amigos, um não pôde ir e deram-me a viagem.

– Tem aproveitado para namorar?

– Tenho estado tranquilo com as pessoas que de gosto. [risos]

Fonte: Correio da Manhã

Zoom In – Francisco Côrte-Real

Outubro 15th, 2010 Comentar   Colocado em: Morangos

Zoom In

Tiago Carreira entrevista Francisco Côrte-Real em Zoom In (clica no thumbnail para abrir o vídeo).

Fonte: Sapo Vídeos

Francisco Côrte-Real: “Arrependo-me e muito de uma traição”

Setembro 7th, 2010 3 Comentários   Colocado em: Morangos

Francisco Côrte-Real

Conheça alguns dos segredos que o actor Francisco Côrte-Real, de 23 anos, confessou ao Correio da Manhã.

– Em criança o que queria ser?

– Quando era miúdo, lembro-me de querer ser jogador de futebol!

– Algum motivo de arrependimento?

– Arrependo-me de uma traição.

– Se traísse contava?

– Contava, aliás, contei.

– Se fosse traído queria saber?

– Gostava de saber, sim.

– Como recorda o seu primeiro beijo?

– Recordo um beijo atabalhoado. Tinha uns 14 ou 15 anos e não se pode dizer que tenha sido um sucesso.

– Local mais exótico onde fez amor?

– No mar!

– Parte do corpo de que mais gosta?

– Da minha boca.

Fonte: Correio da Manhã

Francisco Côrte-Real: “Acredito que não sou o mais bonito”

Julho 8th, 2010 Comentar   Colocado em: Morangos

Francisco Côrte-Real

Francisco Côrte-Real, que ficou conhecido pela sua participação na terceira série dos Morangos com Açúcar (TVI), confessa ter ficado surpreendido quando soube que tinha o seu lugar na lista dos homens mais sensuais de Portugal.

“Não sabia, nem estava nada à espera. Mas fico contente e agradeço a quem votou em mim”, afirma.

O modelo, de 23 anos, garante não se deslumbrar com o elogio à sua sensualidade, embora seja do conhecimento público que gosta de cuidar da imagem. Sem falsas modéstias, Francisco Côrte-Real encara a sua participação no concurso como algo de “positivo”.

“Fico satisfeito em fazer parte dos 20 melhores, mas acredito que não sou o mais bonito nem o mais sensual de todos os que fazem parte da lista”, refere.

Garantindo que vai acompanhar a sua prestação no passatempo de Verão, o actor faz agora uma pausa no trabalho para gozar uns dias de férias. Hoje, parte para a Islândia, um destino que há muito desejava conhecer.

Fonte: Correio da Manhã

Francisco e Joana: Nem para ir às compras se largam

Março 27th, 2010 1 Comentário   Colocado em: Morangos

Conheceram-se na série Morangos com Açúcar (TVI) e nunca mais se largaram. Francisco Côrte-Real e Joana Duarte são tão amigos que até decidem as roupas que cada um veste.

“Costumo ir às compras com o Francisco e ele diz-me o que é que me fica bem. Se ele não gosta, eu confio nele e não compro. Ele faz o mesmo comigo”, revela a actriz.

Fonte: Correio da Manhã

Francisco Côrte-Real: “Só tive duas namoradas até hoje”

Fevereiro 14th, 2010 5 Comentários   Colocado em: Morangos

Protagoniza um triângulo amoroso na novela Meu Amor, da TVI, mas na vida real Francisco Côrte-Real tem muita dificuldade em apaixonar-se. Aos 23 anos, o actor revela que está solteiro e ansioso por encontrar uma mulher que o preencha. Ser pai é um dos seus sonhos.

– Como estão a correr as gravações de Meu Amor?

– Estão a correr muito bem e, felizmente, vão prolongar-se. É sinal de que a novela tem tido boas audiências e aceitação do público. Cada trabalho que faço ajuda-me a aprender. Neste caso ajudou-me a ter cuidado com a imagem e a não ganhar peso devido ao facto de fazer de manequim, o Valentim.

– Como é o Valentim?

O Valentim vive em união de facto com uma mulher mais velha e vai acontecer uma peripécia na sua vida: a sobrinha da namorada dele vem da aldeia para Lisboa tentar a sorte na moda e fica a viver lá em casa. O Valentim acaba por envolver-se num triângulo amoroso.

– Revê-se de alguma maneira na sua personagem?

Há coisas em que não me revejo. Mas há outras com que me identifico, já que o Valentim é um rapaz normal, sem características vincadas. Eu sou assim.

– E em relação ao triângulo amoroso?

Era possível envolver-me mas não conscientemente. Se isso acontecesse nunca seria premeditado.

– A sua mãe [Teresa Côrte-Real] e a sua avó [Madalena Braga] sempre estiveram ligadas ao teatro. Foram elas que influenciaram a escolha da sua profissão?

Não, por acaso foi uma coisa acidental. A família da parte da minha mãe trabalhava no Teatro Nacional D. Maria II. O meu avô, Jorge Côrte-Real, era o contra-regra e a minha avó era actriz do elenco fixo, juntamente com Ruy de Carvalho, Eunice Muñoz e Simone de Oliveira. A minha mãe também ensaiava no Mirita Casimiro, em Cascais. Desde pequeno que estou muito por dentro mas a minha postura era sempre de espectador, nunca procurei ser mais do que isso.

– Nunca lhe incutiram essa paixão?

A minha mãe e a minha avó sempre me deram espaço para poder decidir. Nunca pensei poder vir a gostar de representar, porque sempre fui muito envergonhado. Posso dizer que foi um prazer que descobri por acidente.

– Mas a verdade é que foi o Francisco a procurar um casting…

Fui ao casting dos Morangos, como fui aos de outras coisas. Fui, essencialmente, porque estava na faculdade e não queria depender da mesada dos papás. Queria ganhar alguma independência financeira.

– Entretanto, desistiu do seu curso de Publicidade e Marketing…

Congelei a matrícula, porque não dava para conciliar as duas coisas. As gravações eram muito intensas, de segunda a sábado. Depois foram surgindo outros projectos e percebi que era realmente isso que queria. Hoje espero ter feito a melhor opção. É a fazer isto que sou feliz.

– Que profissão é que sonhava ter quando era criança?

Quando era criança, era um rapaz normal e gostava de ser jogador de futebol. Mas cedo caí na realidade.

– Deseja adquirir formação enquanto na função de actor?

Sim, quando houver uma pausa, em vez de ficar parado vou estudar. Há pouco tempo informei–me sobre uma Brasileira, a Fátima Toledo, que esteve envolvida em filmes como A Cidade de Deus. É directora de actores e dá cursos em São Paulo. Já vi uns vídeos e gostava de ter essa possibilidade.

– Agora imagina-se a viver financeiramente como actor?

Tenho que imaginar-me dessa forma. Felizmente, ser actor, hoje, abre portas ao teatro, cinema, televisão, locução, e, com alguns anos de experiência, pode dar-se aulas, fazer direcção de actores… Felizmente não é só fazer telenovelas. Tenho consciência de que a concorrência é muita e que não é fácil, em muito devido ao facto de ter na família pessoas ligadas ao teatro e à representação. No entanto, não vou pensar nisso agora, porque só me pode bloquear.

– Tem feito muitas amizades ao longo da sua carreira?

Os meus melhores amigos da televisão vieram da época dos Morangos. Não é que nos outros projectos não seja possível fazer amigos, porque é. Mas em Morangos éramos um grupo de miúdos da mesma idade, com os mesmos gostos, postos na mesma situação, e estávamos juntos mais de 12 horas por dia, de segunda-feira a sábado. É tão intenso que quando as pessoas têm química e dão-se bem fica uma amizade que vai ser para sempre, mesmo. Os outros projectos já integram pessoas de outras idades, com outro tipo de vida.

– É muito assediado na rua?

Já fui mais. Agora, volta e meia, uma pessoa pede-me um autógrafo. Hoje, felizmente, posso ter uma vida tranquila.

– Nunca modificou os seus hábitos por ser uma figura pública?

Tento evitar algumas coisas mas não sou uma vedeta que não pode sair à rua e tem logo uma legião de fãs atrás. Mas é óbvio que há certas coisas que evito, como por exemplo ir a um festival ou a um centro comercial ao domingo. Se não for com amigos não me sinto bem, porque não consigo estar à vontade.

– Ao longo do seu percurso na televisão tem feito sempre papéis de galã…

Não gosto muito desses rótulos. Quando sou chamado para fazer algum papel não me dizem se vou ser galã ou não. Sou sincero, também gostava de fazer uma personagem má, com barba.

– É romântico?

Sou, mas não gosto de o ser por obrigação. Gosto de fazer um gesto romântico que seja espontâneo, genuíno. Não gosto de organizar uma situação para ser romântico. Quando estou com uma pessoa de quem realmente gosto, faço coisas que essa pessoa possa achar românticas, embora eu não as faça para me considerar romântico.

– Já fez muitas loucuras por amor?

Para já ainda não aconteceu. Já estive muito apaixonado mas ainda não foi necessário fazer loucuras por amor. Talvez fosse capaz, no entanto ainda não tive nenhum momento marcante.

– Para si, como é a mulher ideal?

Parece que o que eu vou dizer é muito vulgar mas a beleza interior é muito importante. A exterior também importa, claro, porque é o primeiro impacto. Mas o que cativa mesmo, depois da beleza, é a personalidade, a independência, o sentido de humor, a iniciativa… Não gosto de sentir que tenho de ser eu o líder ou a cabeça da relação, a decidir e a sugerir coisas. Gosto que da outra parte esteja uma pessoa que também me surpreenda.

– Imagina-se casado e com filhos?

Casado não, nunca tive esse sonho, até pela separação dos meus pais, que, felizmente, não foi conflituosa. Presentemente, é um compromisso muito importante e a sociedade encaminha-se de uma forma que cada vez menos os casamentos têm a duração de antigamente. Casado não me imagino, no entanto imagino-me com alguém de quem eu goste, como se estivesse casado e com filhos. Mas não para já.

– Por que razão?

Tenho consciência de que ainda sou muito novo. Tenho coisas que ainda quero fazer_ e sei que quando há um filho pelo meio temos que abdicar delas. Tenho consciência de que criar uma criança não é fácil nem financeiramente, nem a nível de disponibilidade de tempo. Ainda tenho muita coisa para aprender.

– Tem namorada?

Não, neste momento estou solteiro.

– Há uns tempos falou-se que estaria interessado na Nereida Gallardo…

Não tem veracidade nenhuma. Infelizmente, neste país dão maior importância às chamadas figuras públicas, pelos respectivos casos amorosos, por estarem numa festa bêbedas ou não, do que propriamente pelo trabalho. Este foi mais um desses casos. Viram uma fotografia minha com a Nereida num trabalho onde estava a Núria Madruga, Joana Duarte e o Nuno Janeiro, e decidiram que eu tinha um caso com ela. Desmenti tudo mas continuam esses rumores. Não se passou nada. Na ocasião até fui um bocadinho ingénuo nas declarações que fiz, as quais retiradas do contexto pareciam indicar outra coisa…

– É, por outro lado, um homem de paixões?

Não, pelo contrário. Até tenho dificuldade em me interessar por alguém a sério. Às vezes até tenho pena disso, porque vejo os meus amigos muito contentes com as namoradas. Eu penso que para namorar com alguém tem de haver muita coisa em comum. Tem que ser uma coisa especial, daí eu ter tido duas namoradas até hoje.

– Quem foram?

Uma foi a Joana Freitas, a outra foi uma namorada minha do tempo da faculdade.

– E a Raquel Jacob?

Também não tem nada a ver. Estive duas vezes com ela na vida.

– É vaidoso?

Sou vaidoso naquilo que eu acho que é essencial. Gosto de ter o meu perfume, tenho cuidado com algumas coisas, mas nada de mais. Por exemplo, nem uso creme hidratante. A minha personagem, como é manequim, tem que ter uma boa aparência, e eu também tenho esse cuidado por causa da personagem, o Valentim. Mas confesso que sou um pouco mais desleixado. Esta personagem tem sido, de facto, um incentivo extra para mim.

– Sente-se bem consigo?

Sinto-me bem e tranquilo.

– É feliz?

Sou, neste momento sou.

– Houve momentos em que não foi?

Houve momentos menos bons. Mas seria estúpido da minha parte queixar-me. Para a minha idade até sou um privilegiado, por isso não me queixo.

– Qual é a sua maior virtude?

É ser racional. É uma virtude que já me deu bastante jeito. Provavelmente, também já me fez perder algumas coisas…

– E o defeito?

Ter a mania que sei tudo, embora ouça bastante os conselhos das outras pessoas. Isso leva-me a pensar que muitas vezes não sei o que estou a dizer.

– Quais são os seus projectos futuros?

Gostava muito de aprender com a Fátima Toledo, gostava de fazer teatro, mas para isso vou ter que subir mais uns degraus. Tenho consciência que há coisas feitas em portugal que são bem feitas, por isso gostava de fazer cinema.

– Será sempre relacionado com representação?

Por acaso acho muita piada à área da realização. Só me apercebi a partir do momento em que entrei neste mundo. A verdade é que também é uma área bastante interessante, que me leva a olhar para os filmes de outra maneira e me faz pensar como seria estar do lado de lá.

INTIMIDADES

– Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

– Sean Penn. É um dos actores mais camaleónicos, com maior capacidade de se transformar que há. E também porque é um excelente realizador. Deve ser uma pessoa interessantíssima. Iria ser muito divertido.

– Não consigo resistir a…

… chocolates. Sou muito guloso.

– Se pudesse alterar alguma coisa no seu corpo e no seu feitio, o que mudava?

No corpo, se pudesse tinha sempre uns abdominais bem definidos. No feitio, talvez tivesse menos mau-feitio.

– Sinto-me melhor quando…

… consigo dormir pelo menos dez horas.

– O que não suporta no sexo oposto?

As intrigas.

– Qual é mesmo o seu pequeno crime diário?

Fumar um cigarro.

– O que seria, efectivamente, capaz de fazer por amor?

Era capaz de salvar uma vida.

– Complete: a minha vida é…

… a minha escola.

Fonte: Correio da Manhã