Pedro Barroso: “Estou bem no trabalho e apaixonado”

Março 27th, 2010 Colocado em Morangos

Aos 24 anos, o actor da novela da TVI Meu Amor fala de moda, da carreira e da namorada, Isabel Figueira.

– Começou na moda. Foi o mundo da moda que abriu as portas ao actor?

– Teve uma pequena influência. Quando ingressei na Elite [agência] eles estavam a abrir o departamento de actores e eu era um miúdo cheio de piercings que só queria era o lado de representação.

Mas chegou a desfilar?

– Nunca desfilei muito, nem antes, nem agora. De vez em quando faço umas coisas mas, na verdade, sou um pouco desligado da moda. Não sou pessoa atenta às tendências da moda no início das estações, aos estilistas ou a este universo. Vejo apenas um ou dois estilistas que me agradam, como o Nuno Gama ou o Miguel Vieira, mas não sou grande conhecedor. Por exemplo, a ModaLisboa, que para muita gente é um grande acontecimento, para mim não tem mesmo grande significado.

– Está então fora de questão seguir por esse caminho, pese embora o facto de namorar actualmente com uma modelo de moda, a Isabel Figueira?

– Não faz parte dos meus objectivos. Posso aceitar pontualmente um ou outro convite apenas pelo gozo e pelo prazer de poder representar algum estilista, como já aconteceu. Foi para mim um privilégio, por exemplo, representar o Nuno Gama. Mas nunca abdicarei de nada para fazer moda.

– Isto de o mundo dos actores e o mundo da moda andarem de mãos dadas às vezes não é muito bem aceite, sobretudo pelos actores mais antigos. Compreende tal facto?

– Isso é respeitável. Há uma nova geração de actores que, por exemplo, não fez o Conservatório, como eu. Fiz apenas uns workshops. Percebo que exista essa quase revolta. Mas, por outro lado, também penso que se têm revelado grandes talentos. É verdade que há actores que podem ter partido do mundo da moda mas também é verdade que há gente bonita que pode ter talento. Julgo que foram as séries juvenis as responsáveis por terem colado o universo da moda ao universo da representação.

– Por que motivo?

– Porque as séries juvenis exigem sangue novo, gente bonita e talentosa. E há uma reciclagem constante. Vão aparecer sempre actores novos e outros serão esquecidos.

– E o Pedro considera-se um actor talentoso?

– Considero-me um pequeno actor a progredir, muito graças às oportunidades que me têm dado.

– Começou precisamente numa série juvenil, Morangos com Açúcar. Há um blogue dedicado a essa série que o considera um dos sex-symbols da nova geração de actores. Como vê esses elogios?

– Eu, pessoalmente, preferia outro tipo de elogios, que se dirigissem mais directamente ao meu trabalho. Prefiro ouvir alguém dizer que gostou do meu desempenho neste ou naquele trabalho.

– Mas voltemos a esta coisa do sex-symbol. De 1 a 10, que nota é que daria a si próprio?

– (risos) Eu a mim não daria nota nenhuma – mas dava uma nota de 200 euros a alguém para andar comigo uma manhã inteira e mudar o meu estilo. (risos)

– É muito assediado na rua? As pessoas reconhecem-no?

– A última abordagem que tive foi de uma senhora que devia ter os seus 50 anos e que andou atrás de mim pelos corredores de um supermercado a insultar-me por causa da minha nova personagem na novela [Meu Amor, TVI].

– E abordagens simpáticas, também têm acontecido?

– Por acaso, as abordagens que tenho tido são precisamente para me falar de trabalho e para dizerem que gostam muito de me ver. E esses elogios recebo tanto de pessoas mais velhas como de pessoas da minha idade. No último ano tive diferentes personagens, o que me possibilitou mostrar as minhas diversas facetas ao público. E deixa-me muito feliz ver que sou reconhecido.

– A fama assusta-o?

– Já sou minimamente reconhecido, e tenho que ser sincero: nunca senti “aquela coisa” da claustrofobia. Nunca houve uma abordagem em massa. Mesmo quando entrei em Morangos com Açúcar a série já não era propriamente novidade e eu fui apenas mais um. Por isso, nunca sofri grande assédio. A primeira geração de Morangos foi bem pior. Neste momento assusta-me mais a exposição.

– Em que sentido?

– No sentido de poder cansar a minha imagem. Existe esse receio.

– E o que é que se faz para combater tal receio?

– Tem de haver um grande trabalho de gestão de imagem e uma boa agência por detrás de um actor. É fundamental um agente que saiba gerir a carreira e que oriente o actor, pelo menos no início da carreira. No meu caso, considero que tenho tido igualmente muita sorte pelo facto de fazer papéis muito diferentes entre si. É verdade que tenho estado sempre a trabalhar mas tenho feito personagens, efectivamente, muito distintas. Não estou rotulado para nenhum tipo de papel, e isso também ajuda a preservar a imagem.

– Mas a marca Morangos com Açúcar é muito grande. Chegou a temer ficar etiquetado como “moranguito”, como ficaram muitos?

– Eu sabia para aquilo que ia. Claro que tive receio mas não me arrependo nada de ter passado por lá. Morangos foi uma escola. Ainda hoje é uma escola de formação de actores, na medida em que há um acompanhamento muito rigoroso dos formadores.

– O namoro do Pedro Barroso e da Isabel Figueira é hoje oficial mas durante algum tempo parece que andaram a tentar escondê-lo. Porquê? Houve receio de assumir essa relação?

– Não, não houve receio nenhum. O que houve foi uma tentativa de resguardar a nossa relação e a nossa privacidade. Sempre vivi o meu dia-a-dia com naturalidade mas há exposições que são desnecessárias. Eu já sou tão exposto, por causa do meu trabalho, que nunca vi necessidade de me expor ainda mais publicamente por causa do meu namoro.

– Não andaram a esconder-se, portanto?

– Não, eu não escondo nada. Se for a um evento público com a Isabel, obviamente que não me vou esconder. Não ando atrás das máquinas fotográficas mas se elas aparecerem também não vou fugir. Não faz sentido ficar fechado em casa quando há um evento a que eu e a Isabel queremos ir. (risos)

– Disse uma certa vez numa entrevista que acredita no amor à primeira vista. Foi assim que as coisas começaram com a Isabel?

– Não sei se foi amor à primeira vista. Sei que nos conhecemos na série Um Lugar para Viver, da RTP, e começámos a falar.

– Que ideia é que fazia da Isabel Figueira antes de a conhecer?

– Não tinha nenhuma ideia, porque não acompanhava o trabalho dela. Só comecei a interessar-me depois disso.

– Como é que é a sua relação afectiva com o filho dela?

– Essa é uma daquelas coisas privadas das quais não vou falar.

– O seu namoro com a Isabel teve alguma coisa a ver com o final da sua relação com a Leonor Seixas?

– Isso é um disparate. Não teve nada a ver. O meu assunto com a Leonor ficou bem resolvido. Hoje estou feliz e apaixonado. Continuo a viver a minha vida e o meu trabalho e preciso muito dele para estar bem. Se tiver um óptimo complemento do outro lado melhor ainda. Neste momento, julgo que tenho o melhor dos dois mundos. Estou bem no trabalho e estou muito apaixonado.

– Tinha alguém na família ligado à representação?

– Não. A minha mãe é a mulher dos sete ofícios, ligada às artes, e o meu pai foi um grande desportista. Ele foi jogador profissional da selecção Portuguesa de andebol.

– E como é que eles viram esta sua opção pela televisão?

– Sempre viram bem. A minha decisão foi muito firme, foi de investimento pessoal, e eles sempre perceberam isso. Nunca tive qualquer entrave.

– É mesmo verdade que foi jogador de basquetebol?

– Sim, joguei em Albufeira e no Algés. Jogava a base – mas não era uma “grande base”. (risos) O grande jogador de basquetebol da família é o meu irmão, que apesar de ser mais novo do que eu é uma das pessoas que mais admiro na vida.

– Qual é o seu grande sonho profissional a concretizar?

– É continuar a fazer isto que estou a fazer. A representação é, definitivamente, aquilo que quero para a minha vida. Fiquei muito contente, por exemplo, de ter tido a oportunidade de fazer uma mini-série em torno da temática dos vampiros (Destino Imortal, TVI). Nunca tinha pensado que alguma vez pudesse participar num projecto com efeitos especiais e com essa qualidade. Neste momento sinto-me muito realizado.

– Existe “aquela” peça ou “aquela” personagem que gostaria de fazer?

– Não consigo referir aquela coisa da personagem-tipo mas posso dizer dois ou três actores de quem gosto muito. Um deles, digam o que disserem, é o Leonardo DiCaprio. Gosto muito da diversidade de papéis que ele tem desempenhado. A meu ver, é um actor completo. E depois há o Denzel Washington, que é, simplesmente, fabuloso. No meu caso, o que quero é que me continuem a dar desafios. É isso que me tem feito crescer.

– É também verdade que tirou um curso de piercings?

– Sim, cheguei a ter um estúdio há uns anos com um amigo mas depois desisti.

– Já fez algum piercing a si próprio?

– Tentei mas não consegui. (risos) Andei com uma agulha espetada num mamilo e tudo.

INTIMIDADES

– Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

– Gostava muito de jantar com o Ruy de Carvalho. Sou um fã do trabalho dele. É daquelas pessoas que estão tão perto de nós e ao mesmo tempo tão longe… Se lhe desse um aperto de mão já me sentiria feliz.

– Não consigo resistir a…

– … carne de porco à alentejana e a chocolate branco.

– Se pudesse, o que alterava no seu feitio e na sua imagem?

– No meu feitio, penso que gostava de ser menos respondão. Apesar de esta ser uma característica muito genuína, às vezes devíamos saber estar calados. Dizer a verdade nem sempre ajuda. No meu corpo, julgo que não mudava nada. A minha mãe fez-me assim e é assim que eu sou.

– Sinto-me melhor quando…

– … consigo concretizar o meu trabalho e quando apanho um bom banho de sol.

– Qual é o seu pequeno crime diário?

– Fumar. Neste momento estou a ver se consigo deixar.

– O que é que seria capaz de fazer por amor?

– Não sei. Eu vivo por amor. Faço tudo para estar apaixonado. Sou louco por estar apaixonado.

– A minha vida é…

– Bela, “Isabela”. (risos)

Fonte: Correio da Manhã


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